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MADLEI
NASCIMENTO

Psicóloga • CRP 08/22454

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Nosso funcionamento psíquico influencia nossas escolhas. E toda escolha produz consequências.

Aquilo que você compreende, mas continua repetindo, também é uma escolha.

Nem sempre escolhemos apenas aquilo que queremos. Nossas escolhas também são atravessadas pelas experiências que tivemos, pelas relações que nos constituíram e pelas respostas que aprendemos a construir diante daquilo que vivemos.

Por isso, alguns comportamentos que hoje parecem difíceis de compreender podem ter desempenhado uma função importante em outro momento da vida. Evitar conflitos ou buscar aprovação, por exemplo, pode ter sido uma forma possível de preservar vínculos ou lidar com situações para as quais ainda não existiam outros recursos.

Quando compreendemos o funcionamento que sustenta uma resposta, aquilo que parecia incoerente começa a adquirir sentido. Isso não significa que toda dificuldade atual seja consequência de um trauma, nem que experiências anteriores determinem inevitavelmente aquilo que faremos no presente. Nossa história participa da maneira como percebemos situações, estabelecemos vínculos e respondemos ao que acontece conosco, mas participar dessa construção não significa determinar seu desfecho (YOUNG; KLOSKO; WEISHAAR, 2003).

Compreender um padrão não é o mesmo que justificá-lo.

Há uma diferença importante entre compreender por que fazemos alguma coisa e utilizar essa compreensão para continuar fazendo exatamente a mesma coisa.

Uma pessoa pode reconhecer que evita conflitos porque aprendeu a associar discordância à possibilidade de ruptura e, ainda assim, continuar se silenciando em relações nas quais precisaria se posicionar.

A consciência, sozinha, não modifica necessariamente um padrão. Ela permite reconhecer aquilo que antes operava de maneira automática e cria uma condição fundamental para que outra resposta possa ser construída.

O problema aparece quando uma resposta construída em determinado contexto continua sendo reproduzida mesmo depois que o contexto, as relações e os recursos disponíveis mudaram. Aquilo que um dia funcionou como proteção pode, em outras condições, começar a produzir limitações.

É assim que determinados padrões atravessam relações diferentes e produzem consequências semelhantes.

Compreender esse funcionamento desloca a experiência de algo que simplesmente “acontece comigo” para a possibilidade de reconhecer também a própria participação naquilo que continua se repetindo.

Toda escolha produz consequências.

Não decidir também produz consequências. Adiar uma conversa, não estabelecer um limite ou permanecer em determinada situação não suspende a escolha; mantém em funcionamento a resposta já conhecida.

Isso não significa responsabilizar alguém por tudo aquilo que lhe aconteceu. Existem experiências que não foram escolhidas, relações assimétricas, violência, perdas e acontecimentos sobre os quais uma pessoa não possuía controle.

Existe, porém, uma diferença fundamental entre responsabilidade pelo que aconteceu e responsabilidade pelo que fazemos diante daquilo que nos aconteceu.

É justamente nessa passagem entre condicionamento e posicionamento que o pensamento de Viktor Frankl acrescenta uma dimensão importante à compreensão clínica. Reconhecer os condicionamentos presentes na história de uma pessoa não exige tratá-los como determinações absolutas. Entre aquilo que a constitui e a resposta que poderá construir diante disso existe a possibilidade de posicionamento (FRANKL, 2006).

Na prática clínica, essa possibilidade não significa uma liberdade abstrata, ilimitada ou indiferente às condições concretas da vida. Significa ampliar a capacidade de reconhecer aquilo que está ao alcance da própria resposta e assumir uma posição mais consciente diante disso.

Compreender por que um padrão existe, portanto, não encerra o trabalho. A compreensão precisa produzir condições para que a pessoa possa decidir se aquela resposta ainda faz sentido no contexto atual e quais consequências está disposta a continuar sustentando.

Psicoterapia não apaga a história. Ressignifica.

Na psicoterapia, compreender o funcionamento significa investigar aquilo que continua operando no presente e reconhecer como determinadas experiências participam das respostas que a pessoa constrói hoje. O objetivo não é encontrar uma explicação confortável para tudo nem transformar o passado em culpado permanente pelo presente.

Quando uma pessoa consegue reconhecer o que determinada situação mobiliza, identificar o padrão que costuma reproduzir e compreender as consequências dessa resposta, aquilo que antes acontecia automaticamente pode começar a ser percebido antes de ser repetido.

É nesse espaço que trazemos à luz da consciência aquilo que a situação mobiliza, compreendemos o significado que aquela resposta adquiriu na história da pessoa e abrimos a possibilidade de ressignificá-la no presente.

Ressignificar não significa apagar aquilo que aconteceu nem produzir uma interpretação mais confortável sobre o passado. Significa atribuir um novo sentido à experiência a partir dos recursos, da consciência e das possibilidades que existem hoje (NASCIMENTO, 2024).

A história continua existindo. As emoções continuam existindo. Vulnerabilidades e condicionamentos também. O que muda é o lugar que aquilo passa a ocupar e a possibilidade de não continuar respondendo da mesma maneira.

Por isso, autoconhecimento não significa descobrir uma versão definitiva de quem você é. Significa compreender suficientemente o próprio funcionamento para que aquilo que foi construído ao longo da sua história não precise continuar determinando automaticamente aquilo que você fará com ela.

Quantas das escolhas que você chama de “meu jeito de ser” ainda são escolhas, e quantas são apenas padrões antigos que você nunca chegou a questionar?

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