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MADLEI
NASCIMENTO

Psicóloga • CRP 08/22454

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Sobre Mim

Muito antes de o mercado acordar para isso, eu já estava lá.

Essa frase não fala sobre antecipar uma tendência. Fala sobre uma trajetória que começou a ser construída antes de temas como saúde mental no trabalho, riscos psicossociais e fatores humanos ocuparem o espaço que hoje possuem no debate profissional.

Desde o início da minha atuação, meu interesse esteve em compreender o que acontece quando indivíduo, relações, condições de trabalho e sistemas se encontram. E como aquilo que aparece em uma pessoa pode ser apenas a parte mais visível de uma dinâmica muito maior.

O ponto de partida

Em 2016, no início da minha trajetória como psicóloga, uma pesquisa de campo me colocou diante de algo que continuaria atravessando minha prática profissional nos anos seguintes: um problema raramente começa ou termina na pessoa em que ele aparece. O trabalho, realizado no ambiente operacional da GOL, em São Paulo, com 91 profissionais técnicos aeronautas, investigava relações entre saúde mental, Síndrome de Burnout, condições de trabalho, desempenho humano, tomada de decisão e possíveis repercussões para a segurança de voo.

O aeronauta era o indivíduo observado, mas não existia isoladamente. Fazia parte de uma organização, de relações de trabalho, procedimentos, decisões gerenciais, condições operacionais e barreiras de segurança. Foi ali que comecei a perceber, na prática, que olhar apenas para a pessoa pode significar enxergar somente o último ponto de uma cadeia muito mais complexa. Foi ali que comecei a compreender, na prática, algo que depois encontraria repetidamente nas organizações:

O fator humano não pode ser analisado fora do sistema do qual faz parte.

 Os fatores de riscos psicossociais também já estavam ali. Carga, fadiga, estresse ocupacional e condições de trabalho faziam parte daquela realidade muito antes de a NR-01 colocá-los no centro das discussões atuais. Os riscos não nasceram com a norma. O que mudou foi a exigência de reconhecê-los e geri-los de forma estruturada. Eu começava a perceber que, quando uma decisão, um comportamento ou um problema aparece em uma pessoa, olhar apenas para ela pode significar enxergar somente o último ponto de uma cadeia muito mais complexa. Mas havia algo ainda maior sendo construído naquele momento.

Eu ainda não chamava isso de uma estrutura de trabalho, mas ela já estava sendo construída. 

E, junto com ela, nasceu uma pergunta que continuaria me acompanhando:

Quanto de um problema conseguimos compreender olhando apenas para onde ele aparece?

2017 | Quando a organização deixou de ser apenas cenário

A experiência em Psicologia Organizacional ampliou meu campo de observação. Dessa vez, eu não estava apenas estudando uma organização. Eu estava inserida nela, fazia parte de sua cultura e acompanhava, no cotidiano, a forma como aquele sistema funcionava.

Passei a observar como estruturas, processos, lideranças, relações de poder, clima, comunicação e decisões organizacionais participavam da maneira como as pessoas trabalhavam, se relacionavam e respondiam às situações.

A comunicação foi um dos fenômenos que mais chamou minha atenção. Respostas assertivas, passivas ou agressivas não aconteciam no vazio. Podiam revelar características individuais, mas também eram influenciadas pela forma como as relações estavam estabelecidas, pela liderança, pelo espaço existente para discordar, pelas consequências de falar ou silenciar e pelos padrões que aquela cultura reforçava ao longo do tempo.

A organização deixou de ser apenas o lugar onde as pessoas trabalhavam. Passou a funcionar, para mim, como um campo vivo de observação.

Comecei a olhar para aquele contexto quase como um laboratório em movimento. Uma decisão gerencial podia modificar o comportamento de uma equipe. Uma regra podia existir formalmente e produzir algo completamente diferente na prática. Um conflito aparentemente individual podia revelar um problema relacional. Uma omissão podia ser tão relevante quanto uma ação. E uma resposta considerada inadequada podia estar sendo, de alguma maneira, favorecida ou mantida pelo próprio sistema em que acontecia.

Foi também quando comecei a perceber que, quando um problema aparece em uma pessoa, encontrar quem errou não necessariamente explica por que aquilo aconteceu.

Pessoas tomam decisões, cometem erros, criam soluções e respondem às circunstâncias. Mas fazem tudo isso dentro de sistemas que possuem cultura, regras, recursos, vulnerabilidades, barreiras e condições próprias.

O indivíduo continuava importante. Mas já não era suficiente para explicar o resultado.

Eu ainda não chamava isso de uma estrutura de trabalho, mas ela já estava sendo construída. 

Os anos seguintes | O mesmo fenômeno em escalas diferentes

Nos anos seguintes, minha experiência na Aviação continuou se aprofundando em Fatores Humanos e Segurança Operacional. Esse percurso ampliou minha compreensão sobre a relação entre desempenho humano, decisões, condições de trabalho e contexto operacional.

Em 2025, esse repertório ganhou uma aplicação ainda mais específica no acompanhamento e na orientação técnica de aeronautas diante de situações de inaptidão, processos de CMA e procedimentos junto à ANAC. O olhar passou a incluir não apenas o resultado de uma avaliação, mas também os critérios que o produziram, as evidências disponíveis e os caminhos possíveis a partir dele.

Ao transitar por contextos diferentes, eu começava a reconhecer a mesma dinâmica assumindo formas e consequências distintas.

Uma área ampliava meu repertório para enxergar a outra.

Eu ainda não chamava isso de uma estrutura de trabalho, mas ela já estava sendo construída. 

2024 | O que eu já observava ganhou uma estrutura mais definida

Com o aprofundamento em Psicologia do Trabalho, saúde mental e gestão dos fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho, aquilo que eu já observava havia anos passou a ganhar uma estrutura técnica mais definida. E, inevitavelmente, me remeteu a 2016.

Os riscos psicossociais não surgiram com a NR-01. Eles já estavam presentes nas condições de trabalho, na organização das tarefas, na comunicação, na liderança, na autonomia e nas diferentes formas como as pessoas precisavam funcionar dentro das organizações. A norma trouxe para o centro das discussões a necessidade de reconhecê-los, avaliá-los e geri-los de forma estruturada.

Para mim, isso não significou começar a olhar para saúde mental no trabalho.

Significou acrescentar novas ferramentas e exigências técnicas a uma questão que já fazia parte da minha trajetória desde 2016.

Eu ainda não chamava isso de uma estrutura de trabalho, mas ela já estava sendo construída. 

Hoje

Clínica, Psicologia Organizacional e Aviação ocupam lugares diferentes na minha atuação. Não nasceram juntas. Foram se encontrando ao longo da minha trajetória até construírem uma forma de trabalho que me permite transitar entre o indivíduo, as relações, as organizações e os sistemas, sem perder a especificidade de cada contexto.

A clínica me ensinou a olhar para o que acontece dentro.
As organizações, para o que acontece entre.
A Aviação, para o que pode acontecer quando indivíduo, contexto e sistema precisam funcionar juntos.

E aquela pergunta que começou a me acompanhar lá atrás continua fazendo sentido:

Quanto de um problema conseguimos compreender olhando apenas para onde ele aparece?

Hoje, consigo reconhecer com mais clareza aquilo que, anos atrás, eu dizia ainda não saber nomear: uma estrutura de trabalho estava sendo construída.

Uma estrutura que procura compreender o indivíduo sem separá-lo de sua história, mobilizá-lo diante das possibilidades de mudança e, ao mesmo tempo, considerar as relações, o contexto e os sistemas que participam daquilo que acontece.

É nesse encontro que minhas diferentes áreas de atuação passam a fazer sentido juntas.

Aqui, Jung compreende. Frankl mobiliza. Reason cria estrutura.

Eu ainda não chamava isso de estrutura de trabalho ... e assim ela foi construída. 
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